quarta-feira, 29 de julho de 2015

ABSURDO À BRASILEIRA - 1° ENCONTRO DE TEATRO DO ABSURDO DE GOIÂNIA

O Máskara - Núcleo Transdisciplinar de Pesquisas em Teatro, Dança e Performance, o CEP em Artes Basileu França e O Programa de Pós-Graduação em Performances Culturais – Mestrado e Doutorado Acadêmico Interdisciplinar da Escola de Música e Artes Cênicas da UFG realizam de 10 a 15 de Agosto de 2015 o ABSURDO À BRASILEIRA - 1° ENCONTRO DE TEATRO DO ABSURDO DE GOIÂNIA. Nesta primeira edição do evento, propomos uma semana voltada ao estudo do teatro do absurdo, com foco no dramaturgo Samuel Beckett. Serão realizadas apresentações de teatro e cenas curtas, oficinas, mesa de diálogos e exibição de produções audiovisuais.


Vale ressaltar que Beckett ganhou o Prêmio Nobel de 1969, é um contista e dramaturgo extraordinário. Nasceu em 13 de Abril de 1906 Dublinn na Irlanda. É um dos maiores e mais inquietantes escritores da literatura mundial e um dos mestres de um teatro que não escolheu o seu nome, o Teatro do Absurdo. Sua obra mais conhecida é Esperando Godot, encenada por nós em 2005/2006, onde podemos encontrar características marcantes da sua complexa e variada obra dramática. 
Os personagens de Beckett não desejam esperança, nem buscam mudar o mundo e o seu sofrimento ou alegria não tem nada de heróico e às vezes possui algo de cômico. Além disso, em sua obra o tempo cronológico é outro, é o tempo incerto da memória e das lembranças. É um tempo/espaço vazio, o mesmo vazio que caracteriza as ações, muitas vezes repetitivas, muitas vezes tem-se a idéia de andar em círculos. Companhia foi o último conto/romance escrito por Beckett, aqui enredo e personagem quase não existem, a ação é ainda mais estática do que em seus outros textos. Só há palavras...e memórias, talvez personagens.
Temos como objetivo discutir como o absurdo Beckttiano se faz presente no teatro brasileiro e quais as possibilidades de discussões da proposta do autor com nossa realidade cultural e educacional. Visto que somos professores e buscamos refletir como o teatro de Beckett pode influenciar a experiência estética de nossos alunos, possibilitando varias leituras interpessoais de suas vivências com tais obras. Visando assim, que nossos alunos se posicionem criticamente frente a uma estética que confronta dados televisivos que somos bombardeados diariamente com detalhes da vida cotidiana muitas vezes camuflados, como: a solidão, o silencio, o vazio, uma não historia, um não personagem,entre outros.
Em nossa participação no Seminário Back to the Beckett Text, na cidade de Sopot/Polônia, em maio de 2010, uma jornalista da TV local nos perguntou porque Beckett no Brasil. A resposta: O Brasil foi o primeiro país a representar Beckett fora da França, em 1955, graças ao pioneirismo de Alfredo Mesquita. Além disso, Beckett estabelece um diálogo pleno com as margens textuais de Guimarães Rosa, o discurso interrompido de Bernardo Élis e o rio profundo de Cora Coralina, se afogando no pantanal de Manoel de Barros e na negatividade do argentino Jorge Luís Borges. O texto de Beckett é hoje parte do imaginário brasileiro e anda para frente sobre os pés de um curupira.